
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (4), em 1º turno, o texto-base de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê redesenhar a segurança pública e o combate ao crime organizado no país.
Eram necessários 308 votos para a aprovação. O placar foi de 487 a 15 no primeiro turno e 461 a 14 no segundo.
A proposta segue para análise do Senado.
Inicialmente, o projeto previa a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes cometidos com violência ou ameaça, mas esse trecho foi retirado do texto.
O relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), acolheu pedidos da base governista e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e decidiu discutir a questão em outra matéria.
“O que o presidente fez foi trazer a proposta de que essa discussão em si pode se dar em paralelo do redesenho da estrutura de segurança pública do país”, afirmou.
O texto, que seria votado em uma comissão especial na manhã desta quarta, foi levado para votação diretamente no plenário, por decisão de Motta.
O texto foi desidratado em pontos que eram do interesse tanto governo quanto oposição.
Por um lado, o relator cedeu a apelos da base governista para retirar a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves.
Esta foi uma mudança que passou diretamente pelo presidente da Casa, Hugo Motta, que convenceu o relator a retirar o ponto do texto e colocá-lo em uma nova PEC para tramitar apenas após o ano eleitoral.
Apesar da resistência de Mendonça Filho, Motta foi apoiado por outros líderes partidários durante uma reunião realizada na noite desta terça-feira (3). Líderes do centrão afirmaram que a mudança na maioridade penal contaminaria o debate e não teria aprovação certa no Senado, o que poderia deixar o desgaste apenas para a Câmara.
Por outro lado, o governo também teve que ceder. Um dos pontos que compunha o esqueleto da PEC era a coordenação da segurança pública pela União.
Mas a oposição e governadores resistiram à mudança e o relator deixou o ponto fora do texto, mantendo o compartilhamento de responsabilidades com estados e o Distrito Federal.
O que diz o projeto
A proposta estabelece na Constituição o 'Sistema Único de Segurança', que tem como objetivo integrar o combate ao crime organizado entre os entes.
Além disso, divide a responsabilidade sobre a segurança pública entre a União, Estados, Distrito Federal e municípios, bem como organização, garantias, direitos e deveres dos órgãos do sistema socioeducativo.
O projeto inclui na Constituição o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional. A União deverá repassar a Estados e municípios 50% de cada fundo.
A proposta também atribui de forma expressa à Polícia Federal o combate a crimes cometidos por organizações e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional.
O texto inclui ainda polícias municipais no rol de órgãos responsáveis pela segurança pública.
Veja o que foi incluido na proposta:
A aprovação da PEC da Segurança Pública pela Câmara dos Deputados na noite de ontem, quando a grande maioria dos parlamentares aprovou o projeto que teve origem em nosso governo, prepara o país para combater de forma ainda mais firme e eficaz o crime organizado.
Em uma rede social, o presidente Lula comemorou a aprovação da PEC da Segurança na Câmara. Lula disse que "estados, municípios e a União terão melhores condições para atuar de modo conjunto, eficiente e organizado, assim como agem hoje no SUS".
"Os municípios poderão ter suas próprias polícias para proteger seus moradores, com mais poderes do que as atuais guardas civis. E a Polícia Federal, que já alcança grandes resultados no combate ao andar de cima do crime organizado, estará ainda mais presente na repressão às facções criminosas e milícias privadas", afirmou Lula.
Fonte: g1.